Alcatrão: O que é, Para que Serve, Onde é Encontrado, Faz Mal?

Alcatrão em Cosméticos

Você já ouviu falar no alcatrão (coal tar)? Sabe como ele pode estar presente no seu dia-a-dia e quais riscos ele traz para a sua saúde?
Este post vai te explicar como este componente atua na formulação dos cosméticos, quais as regulamentações existentes sobre o seu uso, quais os estudos já realizados sobre ele e quais os malefícios causados à saúde.

 

O que é alcatrão (coal tar)?

O alcatrão de hulha, em inglês coal tar, é uma mistura de mais de 4.000 componentes químicos. Ela é formada durante a combustão do carvão, com textura líquida-espessa e de coloração escura. A sua separação em frações lhe permite servir de matéria-prima para diversos produtos químicos, inclusive cosméticos.

 

Onde o alcatrão é encontrado?

Pode ser encontrado em medicamentos (para problemas dermatológicos), construções (em pavimentações) e na indústria (corantes sintéticos). Nos cosméticos, o coal tar é encontrado principalmente nos shampoos de combate a caspa, dermatites e psoríase. Também é encontrado em colorações permanentes de cabelo.

 

O uso de Coal Tar é permitido?

De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), não há dados sobre a absorção e mecanismo de ação do coal tar quando usado de forma tópica.  O órgão cita que o composto se encontra na lista de substâncias do Regulamento Técnico do Mercosul. Esses produtos não podem ser utilizadas em produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes. No entanto, é uma substância anti-séptica utilizada nos produtos anticaspa, de combate a pruridos, seborreia e psoríase. De maneira geral, o alcatrão possui regulamentação específica da Anvisa apenas para uso relacionado ao tabagismo.

Segundo o Código de Regulação Federal do FDA (Food and Drug Administration), nos Estados Unidos, o coal tar, quando em níveis de 0,5% até 5%, é seguro para uso em produtos de combate a caspa, seborreia e psoríase. O órgão não possui autorização em lei para proibir ou restringir o uso deste composto em tinturas de cabelo. No entanto, exige que estes possuam uma etiqueta de advertência indicando as devidas precauções. A proibição é válida apenas para o uso em cosméticos destinados às área dos olhos e lábios, principalmente em maquiagens.

Embora o FDA tenha conhecimento das propriedades cancerígenas do alcatrão quando usado em colorações capilares, o órgão não exige que as etiquetas de advertência possuam essa informação. Ele apenas pede que alertem sobre irritações de pele e riscos de cegueira por má administração.

Em 2006 a Comissão Europeia baniu 22 substâncias de colorantes sintéticos de cabelo, dentre as quais está o Phenylenediamine (PPD), derivado do coal tar.

 

Alcatrão faz mal para a saúde?

O alcatrão é considerado um composto cancerígeno pelos seguintes órgãos: IARC (International Agency for Research on Cancer), NTP Report on Carcinogens (11th Edition), European Union – Classification & Labelling, NIOSH Occupational Carcinogens e IRIS (Integrated Risk Information System). Os principais tipos de cânceres ligados a esta substância são os de bexiga, pele, pulmão, sangue e rins. Além disso, análises experimentais mostraram que o composto pode causar danos neurológicos em casos de exposição ou aplicação de produtos que o contenham em sua composição.

As pesquisas em torno dos problemas de saúde relacionados ao alcatrão já vêm de longa data. Em 1925 Murphy e Sturm testaram o uso tópico do componente em camundongos e o resultado foi uma incidência muito alta de tumores no pulmão. Outro estudo, realizado por Sungai, Takahasmi e Tagaki em 1977, revelou uma íntima relação entre o uso de corantes de alcatrão em cosméticos e o desenvolvimento de dermatite estética semelhante à Melanose de Riehl em seres humanos.

O EWG (Environmental Working Group) classifica os riscos do uso de coal tar como alto para câncer, sendo sua nota geral 10 (!!!!!), ou seja, é possui a nota mais alta possível.

 

Como é possível observar, o caráter carcinogênico do alcatrão não é nenhuma novidade; porém, ainda assim, muitos produtos que o possuem em sua composição não foram testados pelo FDA quanto aos riscos dessa doença. Suspeita-se que existam 6 corantes de cosméticos derivados do coal tar cancerígenos certificados pelo FDA, fora aqueles que causam urticária ou cegueira permanente.

 

Como encontrar alcatrão nos rótulos?

Coal tar solution, tar, coal, carbo-cort, crude coal tar, estar, impervotar, KC 261, lavatar, picis carbonis, naphtha, high solvent naphtha, naphtha distillate, benzin B70 e petroleum benzin [3,4].

 

Conclusão

A proibição do Alcatrão ainda não é unanimidade na comunidade internacional. Mas é preciso tomar cuidado com as reações causadas pelos seus inúmeros componentes. Procure sempre por selos dos órgãos regulamentadores nas embalagens dos produtos.  Mesmo assim, sugerimos se precaver, buscando alternativas ao uso desses cosméticos/medicamentos.

Se você possui problemas como seborreia, psoríase ou caspa tome cuidado! Certifique-se de que os produtos utilizados no tratamento cumprem as normas estipuladas de fabricação.

Caso você seja adepto das tintas de cabelos, leia no rótulo se há algum dos nomes relacionados ao alcatrão na composição.Se tiver, e vite! Existem diversas opções naturais para tingimento dos cabelos, como a henna, por exemplo.

Caso queira um guia de cosméticos completo com receitas caseiras, naturais, veganas, livres de substâncias tóxicas e fáceis de fazer, o Escolha Natural recomenda o livro: guia completo da beleza feita em casa.

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